

BRASIL, Sudeste, ARACATUBA, Mulher, de 20 a 25 anos, Livros, Informática e Internet, Música
Ela vai mudar, Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou Vai ficar feliz de ver que ele também mudou Pelo jeito não descarta uma nova paixão Mas espera que ele ligue a qualquer hora Para conversar E perguntar se é tarde pra ligar Dizer que pensou nela Estava com saudade Mesmo sem ter esquecido que É sempre amor, mesmo que acabe Com ela aonde quer que esteja É sempre amor, mesmo que mude É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou Ele vai mudar, Escolher um jeito novo de dizer "alô" Vai ter medo de que um dia ela vá mudar Que aprenda a esquecer sua velha paixão Mas evita ir até o telefone Para conversar Pois é muito tarde pra ligar Tem pensado nela Estava com saudade Mesmo sem ter esquecido que É sempre amor, mesmo que acabe Com ele aonde quer que esteja É sempre amor, mesmo que mude É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou Para conversar Nunca é muito tarde pra ligar Ele pensa nela Ela tem saudade Mesmo sem ter esquecido que É sempre amor, mesmo que acabe Com ele aonde quer que esteja É sempre amor, mesmo que mude É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
“Há alguns dias, Deus – ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus – enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor.”
Quando coloquei os pés naquele churrasco e o vi, aquele rosto anônimo rodeado de rostos conhecidos, sentei, sorrindo, depois de dar oi a todos e falando alguma dessas bobagens que a gente fala ao chegar - e os outros riem, e nos sentimos acolhidos na turma de cinco amigos em meio a doze milhões de desconhecidos -, não percebi o que estava para acontecer. Achei-o bonito, ponto. E pensei – no momento em que puxava a cadeira para sentar-me – quem é esse moço bonito que eu não conheço, em meio aos outros que conheço tanto?
A primeira impressão é a que fica. No meu caso, para trás. A imagem inicial que tenho de pessoas e lugares não tem nada a ver com a que se constrói depois de um tempo. Se naquele momento me perguntassem o que eu achava daquele rapaz, não iria me derreter em superlativos. Mas quando ele sorriu pela primeira vez, e a curva do sorriso foi abrindo caminho pelas bochechas e apontando para cima, em direção a dois olhões pretos e inteligentes, pensei assim: eu poderia amar esse cara.
Sinto dizer às moçoilas de plantão que não, não foi amor à primeira vista. Eu não estava loucamente atraída por ele, nem apaixonada. Não senti vontade de pular em cima e beijá-lo imediatamente, nem aquela afobação que a gente já não sabe se é paixão, desejo ou consumismo, nem imaginei ao lado dele todos os meus tão sonhados finais felizes. Eu estava calma. O amor é calmo.
Mas eu estava atenta a todas as palavras, às ideologias políticas que ele disseminava, aos comentários que fazia... notei que nem tínhamos tanto assim em comum, mas eu estava totalmente fascinada até por essas diferenças, que me pareciam tão convergentes. Eu seria uma besta se dissesse que vi nos olhos dele a mesma perspectiva. Não vi. Aliás, homem nenhum é assim tão bobo e superficial de dar bola e idealizar relacionamentos concretos em cinco minutos de conversa. Acho que nem mesmo em uma vida toda.
O que reparei foi que ele me olhava curioso: "quem é essa moça que chegou? O que ela faz? O que ela pensa das coisas?" E não houve uma frase que eu tenha dito aquela noite, um gesto que eu tenha feito, que não tenha sido, mesmo que indiretamente, para ele. Tomei cuidado para não deixar transparecer, afinal, nada menos atrativo, ao errarmos na dose, que o desejo. Mas de algum modo, ele soube, e vi que gostou daquela atenção, tão exagerada quanto disfarçada.
Desculpe dizer a essa altura que não aconteceu nada de concreto. Nem beijos, nem flertes mais diretos, amassos ou saídas. Alguns chopes entre os rapazes, regados à conversas superficiais entre as garotas - conversas essas que eu mal podia ouvir, por estar em outra dimensão de mim mesma, embora concordasse com tudo que diziam -, algumas risadas arrancadas à fórceps com minhas piadas (e comemoradas como gols do Brasil, internamente) e, tenho certeza – no final eu tive certeza – uma mútua promessa de amor.
Eu poderia contar outras histórias, mais felizes e intensas, mais sérias, mais prolixas ou mais divertidas que essa, mas não valeriam à pena. Nós inflacionamos a felicidade. Ela está por aí, gasta, em propagandas de Campari, em outdoors de pasta de dentes, em livros, filmes, melodias e novelas das seis. Nenhuma felicidade real chega aos pés dessa que criamos. A única felicidade possível, acredito, é a promessa de felicidade. Já não há mais espaço para happy ends. Só para happy beginings. Esse é o meu. Foi domingo que conheci esse rapaz. Não tenho a menor idéia do que mais pode acontecer depois de tímidos telefonemas de três minutos, mas agradeço à vida por ter me enviado esse “presente ambíguo: uma possibilidade de amor” (…) “Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.”
Ps. A citação lá no começo e as aspas do final são da crônica Pequenas Epifanias, de Caio Fernando Abreu, que está no livro de mesmo nome, Ed. Agir.
Há alguns meses, fiz uma escolha. Mas, não consegui convencer a mim mesma de que era a melhor. Era a mais prática, a mais econômica, a mais segura. Já a melhor, não sei. Nunca soube. E isso me consumiu o pensamento por dias e noites. Muitos dias e muitas noites. Aí, como não tinha jeito, assim, a curto prazo, deixei pra lá. Relaxei e resolvi aproveitar. Consegui, mas muito não. Não tanto quanto queria e devia. Agora, vou ter a chance de escolher de novo. Não por querer, mas por ter que. A vida se encarrega de pôr as coisas no lugar. E meu lugar não é mais ali, não é mais ali, faz tempo. Ontem, a notícia me pareceu um problema. Hoje, sei que é solução. O que sinto no coração é alívio. Ainda bem que não posso fazer nada. Na-da.
Palavras sopradas pela Briza.
Hoje a tarde eu estava estagiando no Laboratório de Pesquisas da faculdade quando...
Notei um cara usando o celular pra tirar foto da tela do computador. Das duas uma:
Ou ele nunca ouviu falar de print screen,
Ou ele estava doido pra mostrar "ólia qui legau! meo cel teim câmera!!!!"
Como minha faculdade é um antro de gente esnobe, fico com a segunda opção. Mas só porque ele passou uns 10 minutos segurando o celular bem alto pta tirar foto.
"Nunca Ninguém Sabe
Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar.
Por isso o meu verso tem
Esse quase imperseptível temor...
A vida é louca, o mundo é triste:
Vale a pena matar-se por isso?
Nem por ninguém!
Só se deve morrer por puro amor..."
(Mário Quintana)
Algumas poesias, que murmuro pra mim mesma às vezes quando estou aborrecida,
produzem em mim uma espécie de consolo e de saudades não sei de que.