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La Belle de Jour

Marcela Nobre Cruz,
A Bela das Tardes,
em plena crise dos 20 anos,
estudante de Jornalismo,
aspirante a escritora,
colunista, blogueira,
Julieta, pedestre,
apaixonada, sonhadora e capricorniana.

La Belle de Jour é o lugar
onde uma garota descobriu que
sua alma podia ser tão linda
quanto todas as tardes.




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BRASIL, Sudeste, ARACATUBA, Mulher, de 20 a 25 anos, Livros, Informática e Internet, Música

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18/04/2008

A paixão pelo ofício

Confesso que já há vários dias esse pensamento de que ser repórter é estado de espírito e ser jornalista é profissão vem me martelando a cabeça. Outros assuntos – como o dinheiro que acaba no meio do mês , a morte da menina Isabella Nardoni e a sem-gracice da campanha eleitoral – vêm à tona todos os dias, mas esse pensamento está sempre à espreita. Ultimamente, muito tem se falado sobre a profissão do jornalista e volta e meia surgem projetos de lei polêmicos que jogam luzes (ou seria o contrário?) sobre o ofício que escolhi. Mas não é esse o assunto principal do texto.

O que eu quero, na verdade, é escrever sobre os descaminhos dessa profissão que, como muitas, vai do céu ao inferno em poucos segundos. Hoje em dia é 'quase' comum pessoas invejarem jornalistas por sua proximidade com artistas e poderosos de toda sorte, no entanto as mesmas pessoas são capazes de lhes jogar pedras por exporem a vida de famosos e de outros 'nem tanto', as chamadas celebridades instantâneas. Esse é apenas um ângulo do jornalismo, responsável por picos de vendas de revistas de fofoca ou o ibope de programas sensacionalistas de rádio e TV. Nada contra, afinal, the show must go on... Em outras palavras, é preciso dar carne aos leões, incentivar o circo de futilidades e horrores que desde Roma Antiga fascina homens e mulheres. Ou seja, não há celebridade que não queria aparecer, então tá na chuva, é pra se molhar.

Todo mundo sabe que o jornalista pode ter múltiplas funções – editor, redator, diagramador –, que vão ganhando novos nomes ou sendo substituídas à medida em que a tecnologia avança. Dia desses, pasmem, li na internet que um site de notícias nos Estados Unidos chegou à conclusão de que um computador faz melhor e mais rápido o trabalho de um jornalista. A notícia (deve ter sido escrita por um computador) não dava muitos detalhes sobre como a coisa funciona. Porém, por mais eficientes que sejam os computadores, por enquanto, ainda são ferramentas, e nada substitui a sensibilidade e o faro de um bom repórter. Pelo menos é no que eu quero acreditar, e se algum jornalista filho da mãe vier discordar de mim, eu mato, e ainda mando um computador redigir a notícia.

Eu costumo dizer que o repórter é antes de tudo um cara curioso, até chato. Detalhista, insistente, pentelho mesmo. Não pode desistir diante de um rosto fechado, uma secretária mais realista que o próprio chefe, um segurança carrancudo, um telefone que insiste em dar sinal de ocupado. Precisa ser persuasivo, obstinado, apaixonado. Pronto! Chegamos ao ponto crucial: impossível ser repórter sem gostar do que faz, sem ter vontade de fuçar aquele assunto mais e mais, de checar uma informação nova, buscar o contraponto, atiçar a polêmica. Repórter que é repórter não teme passar do horário, não rejeita pauta. Parece até que o chefe de reportagem tem um faro especial para adivinhar o dia daquela consulta que você levou um mês para conseguir marcar...

Lamentavelmente não sinto nos alunos de Jornalismo de hoje a paixão pela reportagem. Percebi no convívio de dois anos com universitários que a maioria está mais preocupada em sobreviver e tem como sonho de consumo um bom emprego numa assessoria de imprensa. Como repórter/jornalista conheço bons e maus assessores e eu mesma já fui assessora. Conheço, portanto, os dois lados da moeda.

A assessoria de imprensa começou a se disseminar no Brasil na época da ditadura. Era coisa de jornalista velho e/ou acomodado, gente que tinha medo de ir para a rua e cobrir passeata de estudante, de ver o pau comendo ou preferia que tudo continuasse como estava. Meu sonho, na adolescência, era ter coragem para ser correspondente de guerra no exterior. Bobagem de quem ainda não sabia das guerras travadas por aqui mesmo.

Nada tenho contra o assessor. O que me incomoda é ver estagiário de assessoria (como eu mesma fui) metido à última bolahcha do pacote, a 'eu posso tudo, eu sei tudo, eu faço isso há 2 anos'. O que me incomoda é constatar que a maioria dos jovens profissionais está se consolidando como assessor sem experiência suficiente (às vezes, nenhuma) como repórter. E o pior, eles nem se dão conta disso!

Em geral, o assessor faz uma matéria de mão única. Caso contrário, vai levar um puxão de orelha do seu assessorado. "Você está dando tiro no próprio pé", disse-me uma vez um deles. Ninguém gosta de ser notícia graças a suas facetas menos positivas. O assessor pode até estar cheio de boa vontade, mas com o tempo vai se habituando ao discurso ufanista em que o "que poderá ser" vira manchete como coisa pronta e acabada.

Diante disso, onde fica a paixão de reportar, contar o que viu, o que sentiu, botar vida na matéria? Que coisa mais fora de moda... Hoje em dia procura-se ir o mínimo possível para a rua, isso toma tempo, gasta dinheiro da empresa. Para que existe telefone, internet? Ctrl+c, ctrl+v é a nova roupagem da velha gilette press. Nada se cria, tudo se copia. Até esse texto, pode acreditar.

As pessoas estão deixando de ler jornal, reclamam. As pessoas não têm tempo, nem saco para ler, sobretudo matérias longas. Ok, você venceu. Mas quem vai descrever, narrar a vida cotidiana para os que vierem depois? Os escritores? Os colunistas? Os blogueiros? Talvez seja isso mesmo e esteja em curso uma revolução na comunicação de massa da qual ainda não nos demos conta. O verdadeiro repórter não está nos bancos das escolas de comunicação. Na faculdade obtém-se apenas mais um diploma, que vai garantir melhores salários quando se conseguir passar num bom concurso público. O repórter de boa cepa está em seu apartamento filmando armações de traficantes e viciados como a velhinha que ganhou mais que 15 minutos de fama e uma senhora dor de cabeça no Rio de Janeiro. Os verdadeiros jornalistas somos nós, os aspirantes a escritores, os blogueiros, que ainda temos paixão pelo que fazemos, que nos dedicamos, damos a cara pra bater, e deixamos registrado todas as nossas opiniõe,s sentimentos e a nossa interpretação do que vemos acontecer. Eu sou uma apaixonada, sempre fui. Tenho aqui os meus problemas com a faculdade (que, como diria Antonio Prata, não pode destruir o meu talento haha), tenho duvidas quanto ao meu talento e à minha vontade às vezes, mas nunca quanto a minha paixão.

Concluo que ser jornalista é uma profissão nobre, ou não, como qualquer outra, dependendo do uso que se faz dela, da ética de cada um. Ser repórter é estado de espírito, é pedreira, é escolher o caminho mais difícil pelo simples prazer da aventura.

 

Martha Baptista, adaptado por yo


Escrito por La Belle às 00h38
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16/04/2008

Mudando de assunto...

Eu e meu amigo, "recém-morando-sozinho-saído-da-barra-da-saia-da-mamãe"
fazendo uma comprona no super-mercado:

-Espera, vou pegar uma vassoura.
- Mas pra quê se a gente veio de carro?

¬¬


Escrito por La Belle às 23h34
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