

BRASIL, Sudeste, ARACATUBA, Mulher, de 20 a 25 anos, Livros, Informática e Internet, Música
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(H.G.)
É. Sou apenas um projeto de estudante de Jornalismo e já me acho muito entendida das coisas. Não sei nada de nada da vida, mas quando acontece alguma coisa eu já me acho a mais sabida de todas e meto logo a minha opinião. Mas ando tão noiada ultimamente, que os dois maiores casos da mídia recente não me despertaram nenhum tipo de reação.
Eu assisti à notícia da morte de Isabella Nardoni 54278293 vezes desde o ocorrido, e, enquanto minha avó dizia que o mundo estava perdido, meu pai via mil e uma provas de que o pai havia matado a menina, minha mãe se desesperava com o horror do mundo, eu não esbocei nenhum tipo de reação. Não disse em nenhum momento que, na minha opinião, a madrasta havia agredido a menina sem a intenção de matar junto com o pai dela, mas quando viram o que tinham feito, ela e o marido fizeram toda a armação pra aparentar que outra pessoa havia assassinado a menina. Não comentei com ninguém que, pra mim, Anna Carolina Jatobá tem cara de louca psicopata e Alexandre Nardoni tem cara de ser daqueles brutos grosseiros que não mede o peso das coisas que faz. E apesar de eu olhar todo dia o Orkut da Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, ler todas as notícias sobre o assunto e ver os milhões de vídeos em homenagem à menina, eu nunca disse uma palavra sequer sobre o assunto.
A mesma coisa aconteceu quando eu soube que Roberto CabrinI havia sido preso depois de ser autuado em flagrante por tráfico de drogas e porte de entorpecentes, na última terça-feira (15). Eu não me manifestei, não disse que, na minha opinião, Cabrini estava fazendo uma reportagem especial sobre tráfico, e estava infiltrado no meio dos traficantes. Depois até surgiu essa hipótese, e junto com ela as controvérsias de que qualquer jornalista acusado agora poderia dar a desculpa de estar fazendo reportagem especial. Bom, mas isso é a opinião de certas pessoas, a minha eu já disse, ninguém tira da minha cabeça que Roberto Cabrini é um profissional competente, que não precisa de drogas pra se auto-afirmar, e estava mesmo fazendo uma reportagem especial.
No fim das contas, eu resolvi expressar minha opinião sobre tudo. E isso inclui eu ter aderido à campanha Free Cabrini, que já está se multiplicando pela Web e ganhou até comunidade no Orkut.
E por que tudo isso? Bem, porque eu estou tentando me formar em jornalismo, eu preciso ter opinião, e, mais do que isso, eu preciso ter cara pra mostrá-la. Eu andei meio insegura porque toda vez que eu digo o que eu penso, vem algum sem graça e comenta um dos meus 120452 blogs enchendo meu saco. Aí fiquei tímida, evitei falar de assuntos polêmicos. Mas agora caiu a minha ficha. Em dois anos, vou estar formada (se deus quiser!) e vou estar trabalhando com isso em algum canto do mundo, e não vai ser a rispidez do Joãozinho ou do Zézinho que comentam no meu blog que vão pagar o meu salário. Então chega. De agora em diante, eu falo o que eu quiser. E você, bem, você pense o que quiser, porque na minha opinião, o que vale é a liberdade. De expressão, de pensamento e de poder fazer uma matéria investigativa sem ser preso e ter sua imagem perante a sociedade destruída por isso. Desde que se respeite a liberdade do próximo e não atire a sua própria filha pela janela, acho que a liberdade deve ser válida sim, na minha opinião.

